terça-feira, 17 de abril de 2012

Adenda aos medos


Termina hoje o episódio da doença... Não vos vou massacrar mais com este relato dos dias infernais porque passámos, mas achei necessária esta adenda àquilo que vos descrevi.

O Xavi hoje voltou ao infantário: o pai teve de ir trabalhar mas eu tirei o dia para estar por perto, caso fosse necessário «socorrê-lo». Cheguei pouco depois das 9h e lá estavam todos os meninos na sala com as auxiliares e a educadora da outra sala: ele chorou, ele esperneou, ele agarrou-se ao meu pescoço a chorar, ele pegou na minha mão e arrastou-me até ao corredor... Não foi fácil... Para além disso estive a reviver os momentos do internamento, ao explicar toda a história a esta educadora. E foi nessa altura que verbalizei aquilo que aqui me esqueci de dizer:

«-É horrível sentirmos que o nosso filho já não se parece com o nosso filho. É como se não o reconhecêssemos nas atitudes e na presença... Essa é mesmo a pior parte!»

Quando nos falam pela primeira vez na palavra «meningite» o pensamento leva-nos automaticamente para a morte e logo de seguida vêm as deficiências profundas. Sim, toda a gente conhece um caso de alguém que tinha um filho normal e que de um momento para outro ficou incapacitado pela doença. No meu caso por exemplo lembro-me perfeitamente do meu «caso ilustrativo»...

O meu irmão quando era bebé teve alguns episódios de convulsão febril. Para quem desconhece: as febres são altíssimas e o corpo reage com o revirar dos olhos, a espuma na boca, pele arroxeada. Enfim... eu costumo dizer que entre os 10 e os 12 anos vi o meu irmão «morrer» algumas vezes. A minha mãe era atormentada pela filha de uns vizinhos do meu prédio que tinham uma filha com uns 6/7 anos que tinha ficado com deficiências profundas devido a uma meningite. E eu também vivi com esse terror!

Esses medos não eram infundados... eles crescem enormemente quando estamos realmente a passar pela situação! A falta de diagnóstico naquelas horas de pouca informação não foi o mais grave, o pior foi ver o Xavi totalmente diferente do que costuma ser: batia em toda a gente, pontapeava, dava socos e tentava arrancar o cateter... Eu com o pânico chorava e puxava os cabelos de cada vez que ele se tornava muito agressivo... Afagava-lhe o cabelo e dizia-lhe: «-Filho, por favor... estás a assustar-me! Pára...». Como se ele me estivesse a ouvir... Estava num outro mundo e é isso que assusta: como se ele não estivesse presente, não nos reconhecesse e nós não o reconhecêssemos a ele.

No dia seguinte fui para o hospital carregada de coisas que o pudessem estimular, mas ele só dormia... e eu só o queria ver acordado para garantir que ele estava mesmo bem. Quando acordou pus-lhe logo um daqueles jogos de encaixar formas à frente para ele fazer... e ele encaixou todas as peças! Fiquei tão imensamente feliz! Andar ainda não andava, mas ao menos estava coordenado: até comeu sozinho nesse dia. Foram estas pequenas vitórias que foram dando alento aos dias e fizeram com que me convencesse que tudo não teria passado de um enorme susto!
Neste momento o meu pensamento está com uma mãe que está com o seu filho internado... Quero imensamente, com todas as minhas forças, que muito em breve ela também possa relatar as vitórias do seu bebé lutador... Força, muita força!






7 comentários:

Marisa disse...

Estamos todas com o pensamento neles!
Bjinho querida :)

anf disse...

Embora tarde, venho desejar força, e como me senti pequenina perante o relato dos episódios do hospital,
ser mãe altera completamente o estado emocional de uma mulher,
beijinho

TeresaP disse...

Beijinho também para as duas e obrigada pelo apoio... nunca é tarde para o receber!

Anita disse...

coração de mãe sofre.
muita força para essa mãe.
foi o regresso do xavi a escolinha e ele queria mais miminhos da mãe e do pai, e por isso esperneou, mas de certeza que depois ficou bem, o mais importante é que ele está bem, é necessario tentares apagar este episodio, sei que é impossivel, mas o xavi esta bem.
e um beijo enorme para vocês.
e nao e massacre nenhum, o blog é teu falas do que queres e do que te apetece, estarei sempre por aqui para te ouvir.

Mamã Petra disse...

Minha querida já te contei a minha historia pessoal com a meningite, e infelizmente também vivi os terrores de 2 convulsões febris com o Gabriel o meu mais novo, a 1ª tinha ele 10 meses e eu estava a 30km do infantário no 1º telefonema tinha febre e no segundo 2 minutos depois estava com uma convulsão já tinham chamado a ambulancia e os socorristas já lá estavam e iam a caminho centro de saude, eu fui ter ao centro de saude com o pai e a 1ª coisa que a médica que estava com ele disse foi ele não está mas estamos a tentar que volte, o socorrista nunca desistiu, nunca lhe tirou o oxigénio no meio do panico chamei a pediatra que estava de serviçoe veio a correr, deu-lhe a 2ª dose de medicamento a convulsão parou ao fim de 30 minutos, e eu tinha um menino totalmente sedado, roxo, que parecia como morto, fomos para a ambulancia do INEM, com a VMER á frente a toda a velocidade para o Hospital, com o bebe ligado ao monitor cardiaco, oxigénio, quando iamos a chegar ao Hospital ai a 2 km começou a acordar e quando eu começava a ver se ele reagia á minha voz, tivemos um grande acidente com a ambulancia, felizmente e porque eu peguei nele ao colo quando senti o embate nada lhe aconteceu, a unica vitima ferida foi o fantástico socorrista que nunca desistira, partiu uma perna, e continuamos a viagem os 4 na VMER ele ao colo da médica e eu atras a segurar os equipamentos. Quando chegamos ao Hospital estava tudo á nossa espera pois o quadro era grave e ainda havia o acidente, e a minha querida pediatra já tinha ligado para lá para informar os colegas e saber noticias. No final desse dia e depois de muitos exames, disseram-me que graças ao socorrista o meu menino não tinha nenhumas sequelas, ficamos 3 dias internados para garantir que estava tudo bem, até hoje agradeço aquele socorrista maravilhoso da Cruz Vermelha que nem por um minuto hesitou, que assim que atendeu o telefone na Cruz Vermelha saiu a correr o Infantário é em frente e tambem da Cruz Vermelha, levou o oxigénio ás costas e nunca lho desligou. Se voltei a ser descontraida, voltei ao fim de 2 aos no minimo a imagem dele roxo, nu numa maca não me saia da cabeça, hoje em dia foi uma prova superada, que nos fez sofrer e crescer enquanto familia. Tenho um post deste acontecimento no meu blogue na altura já escrevia. Desculpa o testamento, mas precisas de histórias positivas, e o meu coração tambem está com a mãe que ainda tem o menino internado.

Beijinhos grandes

TeresaP disse...

Anita: Obrigada pelo apoio Anita e um beijinho enorme para vocês também!!!

Mãe Petra: Que pesadelo acabas de descrever! Não me digas que esse episódio se passou em Setúbal?!? É que quando eu estava no Hospital o segurança contou-me uma história idêntica à tua. Coitadinho do teu coração de mãe: convulsão, acidente... que loucura! Tal como aqueles que vivi com o meu irmão... uma das vezes estava sozinha com ele e com a minha avó... ela ficou sem reacção e eu é que andei a bater histericamente à porta dos vizinhos para alguém nos socorrer... Foram uns vizinhos que nos levaram para o quartel dos Bombeiros e dali seguimos para o Hospital...Que pânico! Nem gosto de me lembrar! Garanto-te que não fico amarga com estes episódios, sou uma pessoa extremamente bem-disposta e positiva, mas este mês de Abril tem sido muito, muito duro! Ontem soubemos que um amigo nosso, cuja mulher estava grávida e iria ter a bebé no início de Maio, perdeu-a... Fiquei de rastos! Felizmente o menino internado hoje está muito melhor e confio na sua recuperação a 100%.

Muito obrigada a todas o vosso «apoio» é muito importante para sarar as feridas...

Beijinhos enormes,

T*****

soniarabeca disse...

Olá Teresa. Tenho andado sem tempo para vir à net, e só agora vi a vossa provação. Caramba, até fiquei arrepiada. Mas o importante é que ele está bem. Admiro a tua coragem, deves ter passado momentos bem difíceis. E o Xavi também. Agora é andar pra frente.

Mudando para um assunto mais leve... Vi o vosso selinho e adoramos! Muito obrigada. Quando chegar a casa vou logo postar no blog.

Beijinho grande nosso, para ti e para o Xavi

Sónia e Sofia

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